Negócios com equipamentos aumentam até 60%

O custo dos equipamentos fotovoltaicos caiu 80% em relação ao início da adoção da tecnologia no país

Por Paulo Vanconcellos – Para o Valor, de Porto Alegre | 26/05/2021

As crises econômicas e sanitária impediram um voo mais alto de fabricantes de equipamentos, fornecedores e instaladores de sistemas de energia solar, mas ainda assim os negócios cresceram mais de 60% no ano passado. O setor movimentou R$ 13 bilhões em investimentos. O custo dos equipamentos fotovoltaicos subiu de 10% a 20%, em parte por causa do câmbio, mas ainda assim fechou 80% mais barato em relação ao início da adoção da tecnologia no país.

De grandes a pequenas empresas, todas estão otimistas. A WEG, multinacional brasileira de equipamentos eletrônicos, com operações em 12 países, acaba de investir em um centro de distribuição exclusivo para produtos solares em Itajaí (SC). Também inaugurou uma nova fábrica de eletrocentros solares – equipamentos de alta tecnologia e importantes nas aplicações de usinas de grande porte – em Minas Gerais já com encomenda de 69 unidades para a Vale.
“O Brasil tem um índice solarimétrico privilegiado e, aliado à queda dos custos de equipamentos, espaço para crescimento da energia solar com a redução gradual do tempo de retorno do investimento”, diz Manfred Peter Johann, diretor-superintendente da WEG Automação.

A Crizel, pequena empresa do Rio Grande do Sul especializada no serviço de instalação de sistemas fotovoltaicos ligados à rede, com 336 projetos realizados 172 deles apenas em 2020, surfa na onda do setor. Todos os meses projeta e vende de 15 a 20 sistemas. Quase 90% são residenciais. A pandemia freou um pouco os negócios, mas o fôlego foi recuperado. “O sistema fotovoltaico se beneficia do efeito boca a boca”, diz o engenheiro civil Pedro Crizel, dono do negócio.

“Foi o melhor ano da energia solar no país”, diz Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), entidade criada em 2013 que reúne os principais integrantes da cadeia de valor: fabricantes de matéria-prima e equipamentos fotovoltaicos, empresas de instalação e geradoras de energia.

O setor reúne de 15 mil a 20 mil empresas. Quarenta são fabricantes nacionais de equipamentos, mas a maioria são micro e pequenos negócios com atuação local ou regional que fornecem serviços de engenharia e instalação de fontes de energia solar para pequenos consumidores: 75% dos sistemas estão em residências, 15% em pequenos comércios, como padarias, e 7% em propriedades rurais.

Alguns grandes fornecedores de energia completam o segmento. É o caso da multinacional Enel e sua subsidiária Enel Green Power, que desenvolve e opera instalações de energia renovável em todo o mundo. No Brasil, é líder em geração solar e eólica. São 979 megawatts de capacidade instalada solar. A empresa investe cerca de R$ 5,6 bilhões na construção de cinco novos empreendimentos eólicos e solares que somam ao todo 1,3 gigawatts de capacidade. Os projetos estão no Nordeste e contribuem para a retomada econômica com a geração de 15 mil empregos diretos e indiretos.

Um deles é o São Gonçalo III – segunda expansão do complexo solar São Gonçalo, em São Gonçalo do Gurguéia (PI). Trata-se do maior empreendimento solar da América do Sul. Hoje, já produz 608MW. Serão mais 256MW com a ampliação. Todo o complexo solar soma R$ 2,5 bilhões de investimentos. São R$ 2,2 milhões de painéis solares que evitarão a emissão de 1,2 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano. São Gonçalo é a primeira planta da Enel no Brasil a usar módulos solares bifaciais, que captam energia solar de ambos os lados do painel, com aumento de até 18% na geração de energia. “O Brasil tem grande apetite pela energia lima e mais eficiente”, diz Roberta Bonomi, responsável pela Enel Green Power.

“A energia solar fica cada vez mais competitiva porque a conta de luz fica sempre mais cara”, afirma Rodolfo Meyer, presidente do Portal Solar, uma espécie de central de disseminação de informações sobre energia solar que todo mês recebe a adesão de 400 novas empresas. A tramitação do projeto de lei 5.829/2019, com o marco legal para a geração própria de energia, pode ser decisiva para a impulsão dos negócios.

“A manutenção das propostas no projeto motivará os clientes a migrarem para a energia solar”, diz Pablo Larrieux, diretor de marketing do Solar Group, líder em estruturas de fixação no mercado de geração distribuída brasileiro com apenas cincos anos de atuação e um portfólio de suportes para 1 gigawatt de geradores fotovoltaicos. No começo do ano, projetava crescimento de 115%, mas refez as contas com recrudescimento da covid-19. Nada que derrube o otimismo por mais um ano de sucesso.

Fonte: Valor Econômico
Imagem: Freepik

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